ENFIM…. ELA CHEGOU!
ABNT NBR 16936
EDIFICAÇÕES EM LIGHT WOOD FRAME

RESENHA

Após sete anos de trabalhos, a norma de edificações em light wood frame foi publicada pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, no dia 07 de julho. A publicação do texto marca oficialmente um importante passo para a consolidação do uso do sistema construtivo industrializado e sustentável no Brasil, que é uma das soluções para contribuir com a diminuição do déficit habitacional brasileiro.

Esta Norma fornece as diretrizes e condições de projeto e execução para sistema construtivo light wood frame, constituído por elementos estruturais em painéis de pisos, de paredes e de coberturas, compostos por peças leves de madeira (ossatura) e fechamentos em chapas com função de
contraventamento, função de vedação e revestimento. Além disso, estabelece um método de avaliação e as condições de desempenho dos sistemas construtivos light wood frame, bem como as condições de aceitação e manutenção pelos usuários, necessárias para assegurar a performance esperada da edificação.

As peças de madeira serrada, assim como as peças de madeira engenheirada, utilizadas em paredes, pisos e painéis de cobertura no sistema construtivo light wood framedevem atender aos requisitos da Tabela 1 da norma.

Projetos e execução de edificações em light wood frame

Está descrito na norma que o projeto de uma edificação em light wood frame deve ser elaborado por profissional habilitado com registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) ou no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).

E, devem apresentar o seguinte:
a) memória de cálculo: devem ser apresentadas as considerações de cargas atuantes, esquemas estáticos dos carregamentos, combinações das ações, propriedades mecânicas dos materiais, verificação da resistência dos elementos estruturais e ligações, análise local e global das deformações da estrutura;
b) especificação de materiais: devem ser apresentadas as classes de resistência das madeiras adotadas; a classificação visual; o tratamento preservativo; as dimensões das peças de madeira; a espessura e os tipos de painéis de contraventamento; os tipos, diâmetros, comprimentos e acabamentos de elementos metálicos de ligação; as mantas de impermeabilização; os isolamentos térmicos e acústicos; as barreiras de vapor; os materiais de fechamento e de acabamento final;
c) plantas com locação das peças: devem ser apresentadas de forma clara para a leitura do elemento e das cotas que indiquem a locação. Deve-se utilizar cotas e demais medidas em milímetros para as plantas de locação;
d) todos os tipos de ligações devem ser apresentados detalhadamente no projeto, indicando em detalhes construtivos qual o tipo de ligação e os locais possíveis de aplicação;
e) instalações elétricas: deve ser elaborado o projeto de instalações elétricas conforme a ABNT NBR 5410;
f) instalações hidráulicas: projeto de instalações de água e esgoto deve ser elaborado conforme as ABNT NBR 5626 e ABNT NBR 8160;
g) impermeabilização: um projeto de impermeabilização deve ser apresentado conforme a ABNT NBR 9575;
h) planta de cargas nas fundações: devem ser apresentadas as cargas aplicadas nas fundações ou elementos de apoio da estrutura de light wood frame, em todos os tipos, sentidos e direções resultantes das possíveis combinações de cargas aplicadas na estrutura;
i) detalhamento das peças e componentes: as peças e os componentes devem ser apresentados detalhadamente. O projeto deve apresentar os detalhes das camadas das paredes, incluindo as especificações técnicas de cada elemento constituinte da parede;
j) memorial descritivo e manual de uso e operação: devem ser elaborados para cada edificação, considerando a ABNT NBR 14037 e, para a durabilidade e vida útil de projeto de cada sistema, a ABNT NBR 15575 (todas as partes).

A apresentação de projetos de light wood frame deve ser definida em função do nível de pré-fabricação dos painéis, devendo ser elaboradas folhas de produção de painéis e folhas de montagem em obra.

Todo projeto do sistema em pauta prevê a execução da obra após a conclusão da fundação com os apoios prontos para o recebimento da estrutura. Esta estrutura é composta tipicamente por painéis horizontais e verticais, que são montados sobre a fundação. Estes painéis podem ser fabricados in loco ou em ambiente fabril externo e podem ser estruturais ou não. Em ambos os casos, os painéis podem ser compostos apenas dos montantes e guias estruturais de madeira com seu respectivocontraventamento quando solicitado, ou serem mais completos, com acabamentos internos, isolação termoacústica, instalações elétricas e hidráulicas embutidas, esquadrias e revestimentos externos totais ou parciais.

Uma vez fabricados, os painéis são montados sucessivamente conforme a locação especificada em projeto. Excepcionalmente, caso o projeto assim demande, é possível fabricar painéis verticalmente ou horizontalmente no local. Assim como excepcionalmente é possível que um projeto contemple algum componente de carga concentrada, como pilar e viga, de forma combinada ou não com os painéis.

Neste caso, esses componentes devem estar detalhados em projeto. No conceito de fabricação externa, é possível a pré-fabricação de elementos em módulos tridimensionalmente acabados e transportados até o canteiro.

Com destaque para:
Barreira de vapor e umidade – conjunto de produtos específicos para serem utilizados em paredes portantes ou divisórias de madeira compostas por elementos transpirantes para melhor gerir a regulação do vapor. As barreiras de vapor e umidade devem ser utilizadas para impedir a entrada de água na forma líquida para o interior dos painéis verticais e assegurar a saída da umidade do interior das paredes em forma de vapor d’água. As barreiras de vapor e umidade podem ser aplicadas em mantas sólidas ou na forma líquida conforme a ASTM E1677.

Impermeabilização de fachada – As soluções e especificações técnicas de materiais aplicadas na fachada para atende à ABNT NBR 15575-4, parte IV da norma de desempenho, devem ser apresentadas no projeto. A impermeabilização das fachadas se dá pelo conjunto formado pela manta de impermeabilização de base da parede, pingadeira e barreira de
vapor e umidade.

Áreas molhadas e molháveis – As áreas molhadas e molháveis devem receber impermeabilização adequada, conforme demonstra a Figura 13 da norma. Também utilizar impermeabilização na interface entre o piso e o ralo empregando mantas ou membranas para impermeabilização.
Adicionalmente, o piso que contempla o ralo deve possuir inclinação de no mínimo 0,5% em direção ao ralo para áreas internas e 1% para áreas externas.

Além dessas recomendações no caso de uso de chapas de gesso para drywall em áreas molhadas e molháveis, deve-se empregar aquelas resistentes à umidade, conforme a ABNT NBR 14715-1, sendo utilizados tratamentos impermeabilizantes, conforme a ABNT NBR 15758.

Cíntia Monteiro. Arquiteta e Urbanista pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Habitação pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Responsável por cerca de 370 projetos residenciais e comerciais, e execução de mais de 520 obras. Docente nos cursos de graduação e pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo, Design de Interiores, Engenharia Civil e de Produção.

Matéria da revista AETEC nº50 edição.

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