BRASIL: A ACESSIBILIDADE VIVE NOVOS TEMPOS

Uma sociedade mais justa implica em respeito à diversidade e promover a inclusão. Profissionais que trabalham com acessibilidade devem ser indutores e propagadores de uma Arquitetura que pense em todos.

Faz alguns meses o Brasil começou um novo ciclo. Depois de um período de discussões extremamente polarizadas, que influenciaram até mesmo as relações familiares, destruindo laços fraternos de anos, assumiu um novo governo, não sem enfrentar alguns percalços.

À frente da Nação temos novos dirigentes com uma visão totalmente diferente e completamente oposta ao que tivemos nos últimos quatro anos.

Foram embates duros e nem sempre legítimos que provocaram sequelas que não vão desaparecer tão cedo. Mas vamos ter que conviver, independente de tudo. Seguir em frente.

E como prefiro sempre ver o lado positivo em todas as situações, gostaria de ressaltar um aspecto que tem me chamado a atenção nesses tempos tão conturbados.

Trabalho com a temática da acessibilidade e inclusão faz quase vinte anos. Acompanho de perto, como profissional de Arquitetura e cidadã, os debates em todos os foros especializados.

Mas também não deixo de ter um olhar cuidadoso para o entorno social e os impactos das políticas públicas no setor.

Nunca a diversidade, de forma geral e especificamente no caso da acessibilidade, foi tão discutida em nosso País.

É só caminhar pelas nossas cidades que percebemos que ainda há muito que avançar, mas alguns movimentos positivos já aparecem no horizonte e nos fazem sonhar com tempos mais acolhedores para aqueles que têm algum tipo de deficiência e demandam adaptações e cuidados especiais.

Se pensarmos para o nosso passado recente, de alguns anos atrás, é inquestionável que muito mudou, para melhor, quando falamos na importância e necessidade de se pensar em acessibilidade.

Não seremos aqui hipócritas de ignorar que ainda, infelizmente, esses avanços não conseguiram chegar a todos e que apenas uma bolha é beneficiada, como acontece em todos os espectros da sociedade. E é por isso que é ainda mais urgente a nossa mobilização.

Percebo, quando estou na mesa de reuniões com responsáveis por empreendimentos ou em palestras de conscientização que faço pelo País, que hoje, há uma maior receptividade quanto às necessidades de se pensar em acessibilidade. Como sempre digo: “Investir em acessibilidade é garantir o direito de ir e vir com autonomia, segurança e independência a toda população, inclusive às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, permitindo seu fortalecimento social, político e econômico.”

E como li em um recente artigo, no site Libras, acessibilidade é a “garantia do direito de todas as pessoas participarem em sua plenitude da vida em sociedade, sem exclusão ou discriminação.

É a possibilidade de todas as pessoas, independente de suas limitações físicas, sensoriais ou cognitivas, terem acesso aos espaços, serviços e informações disponíveis na sociedade.”

Uma outra reflexão, desta vez do jornalista cadeirante Jairo Marques, da Folha de S.Paulo, me calou fundo e só vem reforçar o que expus até aqui nessa conversa com vocês leitores dessa Revista da AETEC.

Diz o Jairo, baseado em experiência própria: “As questões de diversidade ganham relevância acelerada e crescente entre as atuais gerações e não dá para repassar para o Google ou para o Tik Tok a função de abordá-las com empatia de forma real e substancial dentro de casa”.

O jornalista ainda complementa: “Por variadas razões as projeções indicam que teremos mais pessoas com demandas vindas de deficiências num futuro breve e me parece maduro que as sociedades saibam ampará-las com equilíbrio entre o atender suas necessidades, reconhecer sua legitimidade como cidadãos e validar suas existências sem os ranços excludentes que temos hoje”.

Só para concluir, um último recado, se me permitem: precisamos lembrar que a inclusão não é nenhum favor ou privilégio para ninguém. É um valor que demonstra civilidade. E a acessibilidade faz parte desse olhar. Promovê-la e defendê-la é papel de toda sociedade e principalmente de nós profissionais de Arquitetura.

Paula Dias – CAU A18547-7 arquiteta e urbanista, especialização em acessibilidade há mais de 20 anos. pauladiaslima@uol.com.br

Matéria da revista AETEC nº48 edição.

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